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Friday, March 21, 2025

Sermon of Fr. Paulo Ricardo on the Solemnity of St. Joseph (translated into English)

March 19, 2020

“Joseph, Son of David, do not be afraid to take Mary as your wife, for she has conceived by the Holy Spirit.”

 

Gospel of Our Lord Jesus Christ according to St. Matthew (Mt 1:16, 18-21, 24a)

      Jacob was the father of Joseph, the husband of Mary, of whom Jesus was born, who is called the Christ. The origin of Jesus Christ was as follows: Mary, his mother, was betrothed to Joseph, and before they came together, she was found to be with child by the Holy Spirit. Joseph, her husband, being a just man and unwilling to put her to shame, resolved to divorce her secretly. But as he considered this, behold, an angel of the Lord appeared to him in a dream, saying, “Joseph, son of David, do not be afraid to take Mary as your wife, for that which is conceived in her is of the Holy Spirit. She will bear a son, and you shall call his name Jesus, for he will save his people from their sins.” When Joseph woke from sleep, he did as the angel of the Lord commanded him.

 

In a year of so many tribulations for the whole world, struck by punishments that humble human pride, while at the same time seeking the mercy of the Father as the remedy for our faults, God grants us, in His special providence, the glory of St. Joseph, proclaimed 150 years ago as the patron of the universal Church. Though the virtues, titles, and invocations under which we can delve deeper into the mystery of this singular holiness are countless, we wish to focus today on that grace, superior to all others, which is the reason for St. Joseph's being and the fundamental reason why the Church venerates him as the first of saints and her most powerful intercessor. We refer, of course, to the mission that was assigned to him from eternity and for which he received all the virtues we admire in him: piety, virginity, prudence, and fidelity. And what mission could this be, if not to be the spouse of the Mother of God and the adoptive father of the Incarnate Son? Indeed, this was the very purpose for which the Holy Trinity predestined him in her eternal counsels; it was for the head of the Holy Family that the Father of all fatherhood conceived him; it was to be the zealous custodian, in preference to all the righteous, that the Divine Word formed him, and to be the chaste guardian of the Immaculate Virgin that the Holy Spirit sanctified him. So tightly bound are St. Joseph's plans to Christ and Our Lady that we can say that, in the same decree by which God determined to regenerate humanity through the Incarnation of His Son, not only was the Blessed Virgin included, but also St. Joseph, the one to whom the Word would take flesh. Because in the same act of will by which God wished to give mankind the remedy of salvation through Christ's Blood, He also wished that the woman from whom He would be born would be united in sacred matrimony to a righteous man prepared for such a high mission: “The angel Gabriel was sent by God to a city of Galilee named Nazareth, to a virgin betrothed to a man whose name was Joseph” (Luke 1:27). This is why many theologians affirm that St. Joseph belongs not only to the order of grace, where all other saints belong, but also to the order of the hypostatic union, although in an extrinsic, moral, and mediated manner, inferior to that which corresponds to the Virgin Mary. St. Joseph, in fact, did not physically cooperate in the Incarnation of the Word, and it is for this reason that his dignity and the worship due to him are inferior to that of the Mother of God. However, even though Joseph's participation in the hypostatic order is confined to the sphere of moral causes, as the guardian of Mary's honor and virginity and the custodian of the Child Jesus, his role as a father, in terms of conjugal rights and moral authority, is no less true, as the Scripture attests: “His father and mother marveled at what was said about him” (Luke 2:33), and as the Virgin herself acknowledges: “Behold, your father and I have been searching for you” (Luke 2:48). Just as Mary, the Mother of the Head who is Christ, can be said to be—and indeed is—the Mother of the Church, so too St. Joseph, the adoptive and virginal father of Christ, can be said to be—and indeed is—the spiritual father of the entire Catholic Church, triumphant, suffering, and militant. It is with our hearts focused on such a mystery, with our spirits comforted by having such a father and most provident protector, that we must invoke the help and patronage of St. Joseph, so that he may deliver us from the evils of these sorrowful times, if it be God's will, and grant us that peace and health that the world is always incapable of providing. — St. Joseph, protector of the Holy Church, pray for us!

 

References:

Cf. Pius IX, Decree “Quemadmodum Deus,” Dec. 8, 1870.

The text of this homily is inspired by some ideas from Fr. R. Garrigou-Lagrange, “De præstantia sancti Ioseph inter omnes sanctos,” in: Angelicum (V/2), April-June 1928, pp. 205-208.

 

 Sorce:

https://padrepauloricardo.org/episodios/solenidade-de-sao-jose-mmxx

Friday, January 17, 2025

Sermon for Xmas Day 1977 by His Excellency Marcel Lefebvre (translated into Portuguese)

 

Meus caros amigos,

Meus caríssimos irmãos,

 

Os santos evangelhos, na narração que nos fazem de todos os acontecimentos que cercam a vinda de Jesus sobre a terra, a Encarnação de nosso Salvador, os santos Evangelhos nos manifestam a ação extraordinária que os santos Anjos desempenharam no anúncio da Boa Nova.

Nosso Senhor ainda não havia chegado. Nosso Senhor ainda não havia aparecido em público para cumprir esta evangelização, parece que Deus quis que, em primeiro lugar, os anjos fossem encarregados disso.

Notem que antes, para o Percursor, para São João Batista, é o anjo Gabriel quem vem visitar Zacarias e lhe anuncia que ele terá um filho que será o Precursor do Salvador.

Porém Zacarias duvidou da palavra do Anjo, e, apesar disso, o anjo lhe disse explicitamente: “Sou Gabriel, o anjo que vem anunciar-vos estas coisas, e porque hesitastes em acreditar, ficareis mudo até o nascimento do Filho que Deus vos envia.”

Depois, ainda é um anjo que vem visitar a Santíssima Virgem Maria, que também vem lhe anunciar a notícia extraordinária de que ela seria a mãe de Jesus, de que ela seria a mãe do Salvador. Poder-se-ia acreditar que a Santíssima Virgem também demonstrou uma certa hesitação em aceitar a palavra do anjo.

De modo algum, se ela faz uma objeção, é simplesmente porque ela quer guardar sua virgindade, e porque ela não entendia como, ao guardar a sua virgindade, ela pode ser mãe.

E o anjo lhe explica que o Espírito Santo a cobrirá com a sua sombra e que Aquele que nascerá dela será o Filho do Altíssimo. Então, ela pronuncia seu Fiat.

Em seguida, também são os anjos que dissiparão as dúvidas de São José. São José, com efeito, não conhecia o Mistério e a graça insigne da qual era objeto sua esposa, a Virgem Maria, e ele fica preocupado. Ele se pergunta como a Santíssima Virgem pode estar grávida, e tem a intenção de abandoná-la. E eis que um anjo, em sonho, lhe aparece e lhe diz que esta criança que a Virgem Maria carrega nasceu do Espírito Santo, que ele não hesite em tomar Maria como esposa.

São José imediatamente obedece as ordens do anjo e se une a Maria.

Mais uma vez, são os anjos que anunciarão aos pastores a Boa Nova. Os pastores ficam assustados pela luz que os cerca, pelo anúncio que este anjo lhes faz. Mas o anjo lhes diz: “Não temam, vos anuncio uma boa nova: O Salvador prometido pelos Profetas vos nasceu. Ele está na Cidade Santa, a cidade de Belém, cidade de Davi. Vós o reconhecereis envolto em panos e cercado da Virgem Maria e de São José.”

E os pastores não hesitam em ir procurar a Virgem Maria, São José e reconhecer, com efeito, a verdade da palavra do anjo.

E, enquanto se afastam para ir a Belém, não é mais somente um único anjo, mas todo um grupo importante de anjos que cantam no Céu a glória de Deus: “Paz aos homens de boa vontade”.

E não termina aqui. Também são os anjos que indicarão e que inspirarão o ancião Simeão, que também reconhecerá Jesus.

Ora, qual é o resultado deste contato que os anjos têm com as pessoas que têm esta graça insigne de conhecer a notícia da Encarnação do Salvador, ou de ver Jesus com seus próprios olhos? Pois bem! O resultado será que estas pessoas cantarão os louvores de Deus.

Zacarias cantará aquele magnífico hino, o Benedictus. A Virgem Maria cantará seu Magnificat. Os pastores também cantarão a glória de Deus.

É o que diz a Sagrada Escritura: depois de reconhecerem o que os anjos haviam dito, voltaram para casa cantando os louvores de Deus.

O ancião Simeão cantará seu Nunc dimittis. Consequentemente, a nova que Deus nos anuncia pelo intermédio dos anjos nos faz cantar os louvores de Deus. Faz-nos prestar um culto a Deus, de adoração, de agradecimento, de ação de graças. Nossas almas devem se elevar a Deus e cantar estes cânticos, cantar a nossa alegria, cantar os nossos agradecimentos, o nosso reconhecimento, a nossa gratidão a Deus que veio para nos salvar, para nos livrar de nossos pecados.

Pois é exatamente isso que é anunciado, a cada um daqueles que tiveram esta grande graça de ter um dos primeiros anúncios da vinda do Salvador. Porque é o Salvador que nos é enviado. Aquele que nos resgatará de nossos pecados.

Somente São José, em sua humildade, quis, sem dúvida alguma, ceder todo o espaço à Santíssima Virgem Maria. Sem dúvida, ele não se sentia digno do tesouro extraordinário que Deus colocou em suas mãos: a Virgem e o Menino.

E por que, por que Deus não continuou este ministério do anúncio da Boa Nova pelos anjos? Porque Ele o fez naquele momento? Por que não o fez até o fim dos tempos? Sem dúvida, talvez tivesse sido mais eficaz. Não sabemos. Mas Deus não quis isto. Por quê? Porque alguém que era superior aos anjos deveria vir: Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa.

Ele é o Rei dos anjos. Consequentemente, Deus queria que os anjos preparassem o caminho, preparassem o anúncio para Aquele que é seu Rei. Para Aquele que é muito mais do que eles. Que é seu Criador. Não foi somente um anjo que veio nos anunciar a Boa Nova, é o próprio Deus. O próprio Deus que quis tomar uma alma e um corpo como os nossos, para nos anunciar esta Boa Nova.

Então seria preciso que Nosso Senhor permanecesse entre nós até o fim dos tempos. Pois bem! Isto ainda não está no desígnio de Deus. O desígnio de Deus é que ele existam homens, homens que estejam associados intimamente ao sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, para levar a Boa Nova aos seus irmãos. Eis qual foi a intenção de Deus. Eis qual foi o plano divino.

Associar, de um modo tão íntimo, pessoas que seriam escolhidas para serem outros sacerdotes, para serem outros Cristos, e que difundiriam a notícia da vinda do Salvador.

E qual será, então, o objeto de sua pregação? Como Nosso Senhor conceberá esta transformação das almas? Como as almas também cantarão cânticos à glória de Deus, para agradecer a Deus pelos benefícios que lhes são concedidos?

Bem! Nosso Senhor, em sua Onipotência e em sua bondade infinita, em sua misericórdia, quis que houvesse um sacrifício, que seu Sacrifício continuasse até o fim dos tempos, pela consagração dos padres, e que estes padres fossem eles próprios encarregados, não somente de pregar o Evangelho, de anunciar a Boa Nova, mas de dar o Espírito Santo, não mais como os anjos puderam dá-lo por suas palavras, pois, parece que, à palavra dos anjos, o Espírito Santo desceu sobre as pessoas que foram escolhidas por Deus para serem o objeto de suas graças particulares.

Com efeito, a Santíssima Virgem ficou, à palavra do anjo, repleta do Espírito Santo. A própria Isabel, apenas com a visita da Santíssima Virgem, também ficou cheia do Espírito Santo. Zacarias, o ancião Simeão, São José, certamente, ao anúncio dos anjos, também ficaram cheios do Espírito Santo.

Nosso Senhor não quis que o mesmo acontecesse conosco. Certamente, Nosso Senhor quis que, ao anúncio do Evangelho que nos é feito, pudéssemos nos converter. Porém Ele quis instituir sacramentos. Ele quis instituir sinais que nos consagrariam a Deus, que derramariam em nós o Espírito Santo.

Recebemos o Espírito Santo pelo batismo e pela confirmação. Por todos os sacramentos, o Espírito Santo é realmente derramado em nossas almas.

Logo, o efeito dos sacramentos em nós deveria ser que entrássemos em ação de graças. Que nos dedicássemos ao culto de Deus. Somos consagrados, consagrados ao culto de Deus.

E é por isso que Santo Tomás diz, tão justamente, que o batismo nos prepara a Eucaristia. Prepara-nos para o Santo Sacrifício que é o cerne de todos os sacramentos, que é o centro, assim como o sol que ilumina sobre todos os sacramentos.

Em razão de sermos consagrados a Deus, em razão de sermos batizados, do padre derramar sobre nós a Água santa do batismo, ungir o nosso corpo com o Santo Crisma e o óleo dos catecúmenos, somos consagrados ao culto de Deus.

Devemos pensar nisto, ressuscitar em nós a graça do nosso batismo, que nos é dada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pensar que, realmente, somos escolhidos por Deus para honrá-lo, para adorá-lo, para agradecê-lo, para nos unir a Ele de um modo completamente particular, por seu Espírito Santo, por todos os sacramentos.

Nosso Senhor quis que toda a Sociedade seja cristã, e que ela seja consagrada a Deus, e que ela cante os louvores de Deus. É por isso que há um sacramento particular para o matrimônio. Os esposos devem cantar a glória de Deus. Eles também são consagrados, pelo sacramento do matrimônio, para santificar a sociedade, que é a família.

Mais ainda. Nosso Senhor quis que toda a Sociedade fosse consagrada, consagrada ao louvor de Deus, à glória de Deus, a estes cantos que não deveriam acabar nunca, continuar na eternidade, pelo Santo Sacrifício da missa. Pela Santa Eucaristia que não pode se separar da Cruz de Nosso Senhor. É o sacramento da Sociedade, o sacramento que une, não somente uma família, mas todas as famílias, toda a Sociedade, os príncipes, os magistrados, todos aqueles que têm uma função na Sociedade são chamados a vir assistir ao Santo Sacrifício da missa. Eles também devem cantar – eles são consagrados por Deus – para cantar os louvores de Deus. E toda a multidão de fiéis unidos ao padre, em torno do altar, deve cantar os louvores de Deus. É toda a Sociedade que deve ser consagrada a Deus. Eis o que Nosso Senhor Jesus Cristo quis. Eis o que está no plano de Deus.

Mas, não podemos esquecer que o ancião Simeão disse à Santíssima Virgem: “Vosso coração será transpassado por uma espada”, e “vosso Filho será um sinal de contradição”.

E este sinal de contradição que é Nosso Senhor, que é Jesus, relevará, diz o ancião Simeão, os pensamentos íntimos dos homens. Sim! Nosso Senhor Jesus Cristo se apresenta para nós, hoje e em todos os dias do ano. Ele está à porta do nosso coração. Ele bate e nos pede para amá-lo. Ele nos pede para segui-lo. Ele nos pede para obedecer aos seus mandamentos.

Qual será resposta dos homens? Há aqueles que recusarão e há aqueles que aceitarão. E eis que os pensamentos íntimos dos homens se revelam ao chamado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Então, neste dia de Natal, devemos pedir que as graças que Nosso Senhor Jesus Cristo veio nos trazer sejam derramadas sempre mais no mundo. Ora, infelizmente, somos obrigados a constatar que, em nossa triste época, as vozes se calam. O Evangelho está sendo falsificado. Mesmo os nossos sacramentos estão sendo distorcidos. A nossa própria Missa está se tornando uma missa da qual não se sabe mais exatamente o que ela é, que não tem mais uma definição.

Então, podemos e devemos nos preocupar, e devemos ficar angustiados diante desta situação deplorável, que tem por resultado a apostasia geral.

Não podemos abandonar Nosso Senhor Jesus Cristo. Não podemos abandonar o que Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu: seu Santo Sacrifício da missa, seus sacramentos, seu Evangelho, seu ensinamento. Devemos permanecer firmes na fé e nos sacramentos que Nosso Senhor Jesus Cristo veio nos trazer.

Certamente é isto que será a garantia da renovação da Igreja.

Caros pais cristãos, guardem fielmente o catecismo que vos foi ensinado em vossa juventude. Ensinem-no aos vossos filhos. Ensinem aos vossos filhos o que foi ensinado a vós mesmos. Ensinem-lhes o que é o Santo Sacrifício da Missa, a Cruz de Jesus. Ensinem-lhes o que é o batismo, o que é sua confirmação, o que é a Santa Comunhão, e então transmitam-lhes verdadeiramente o que Nosso Senhor Jesus Cristo quis dar a vós mesmos. O que tendes de mais caro. Sejam fiéis, fiéis ao ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E vós, meus caros amigos, apesar das perseguições, apesar das dificuldades, apesar das calúnias que podem pesar sobre vós, também sereis fiéis. Fiéis ao ensinamento dos Santos Anjos, destes anjos que anunciaram o Salvador, que anunciaram Nosso Senhor Jesus Cristo e que derramaram o Espírito Santo nas almas. Fieis a Nosso Senhor Jesus Cristo, fiéis à Santa Igreja, eis o que sereis. E se fizerdes isto, tendes certeza de que, um dia, o Bom Deus vos abençoará. Que o Bom Deus vos dará todas as graças das quais precisardes.

Logo, vamos ao presépio hoje e peçamos à Santíssima Virgem Maria, peçamos a São José, para colocarem em nossos corações, em nossas almas, os sentimentos que faziam seus corações baterem diante de Nosso Senhor, diante de Jesus que eles adoravam e amavam.

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.